segunda-feira, 9 de abril de 2007

O lado positivo da tragédia

O ser humano é, de facto, extraordinário: o que não inventamos para conseguirmos ver numa qualquer experiência negativa algo de positivo. Talvez porque não haja outro remédio. E como diz o povo: o que não tem remédio, remediado está. Mas porque já estão os leitores a roer as unhas e a querer fazer uma leitura transversal deste texto, conto-vos já a prometida tragicomédia. Depois de uma noitada na discoteca, o Mercado, e de uns shots; a rapaziada ficou contente. Uns mais, outros menos; com ou sem vómitos. Termina a festa. Saio eu, sóbrio, a minha acompanhante, semi-sóbria e um amigo, esse perdido de bebêdo. Numa espécie de "Agora Escolha" ou "Você decide" (os da minha geração saberão do que falo!), apresentam-se-me três alternativas: vou para casa com a minha acompanhante e deixo que o outro rapazinho descubra o caminho para casa (ele insiste que está suficientemente lúcido para seguir uma estrada); avio-o num táxi ou levo-o a casa. Com o passar dos minutos, a última opção começa a assemelhar-se-me a acertada. E mal abro eu a mala do carro (sim, tenho um comercial), precipita-se para lá o dito cujo. Qual suite presidencial ou real! Seguimos caminho. Depois de um percurso serpenteado, chegamos ao seu palácio, numa avenida de terra batida e alguns pedregulhos dos arruamentos já desaparecidos. A cambalear, consegue subir a escadaria e entra em casa. Encomenda entregue. Fechava eu a mala, quando me apercebo que os meus óculos estavam algo diferentes, digamos que quase se assemelhavam a uma escultura de tapiés. Entenda-se inutilizados. Não preciso reproduzir as palavras que vomitei naquele minuto que levei a aperceber-me, por acaso, que também um dos pneus não estava em melhor estado. Sim, isso: 5h 30m, na Avenida do Sabor, com o caralho de um furo! Puta que pariu, anda um gajo a armar-se em bom samaritano e depois dá nisto. Não queiram imaginar o meu discurso na meia hora que levei a mudar o pneu. Só o sono amainou a minha raiva. É claro que no outro dia, sábado, tive de levantar-me às 11h para ir à oficina mudar os pneus. Aquele dia foi de reflexão: se pratiquei uma boa acção,pensava eu; fui recompensado. Mas de que forma? E eis que surgiram as respostas: não andava eu a querer comprar uns óculos novos? Que melhor oportunidade? Não andava eu a pensar que deveria mudar os pneus - talvez daqui a uns dois ou três meses ? Que melhor oportunidade? Confesso que depois destes pensamentos me senti mais aliviado. Loucura sã, talvez. Mas aconselho vivamente esta estratégia de remediação.
No final de toda esta história, os mais atentos perguntarão: Mas espera lá, não havia uma gaja no meio disto? Sim, verdade, a minha sobrinha.

sábado, 17 de março de 2007

Potencial Homicida


Imaginem que numa qualquer noite de trabalho é a sua vez de não ir a conduzir. Por outras palavras, consigo vai o condutor, justamente à sua frente; e logo ao lado outra colega de trabalho que vai fazer não importa o quê, até porque nada interessa para a história. A viagem está a correr bem até ao momento que vemos um sinal luminoso agarrado a um guardia. Ah, sim, é importante o detalhe de que estamos em teritório de nuestros hermanos. Evidente, o condutor pediu-me de imediato o casaco dele que estaria algures ao meu lado para tirar-lhe a carteira e os quase sempre solicitados documentos. Com a preocupação de encontrar a carteira que não encontrava, nem reparara que o polícia estava lá fora com uma lanterna. Abre o condutor o vidro e foi impossível não ouvir as suas palavras: - Puede salir por favor. (tradução: Sais já ou estás fodido.) Desaperta o condutor o cinto e prestes a sair faz a pergunta retórica de sempre: - Eu? Quando esperavamos todos que nos soasse nos ouvidos um "Si" (mas não o de "si, cariño"), surpreende-nos um "no, salga usted" a dirigir-me o olhar. Abrem-me a porta (qual estrela de cinema!) e começam a revistar-me. É claro que nem com o aspecto sisudo da autoridade pude conter o riso. A resposta do gorila foi imediata: -No me hace gracia. (tradução: Se não estivessem aqui os teus colegas hoje vias o luar ao quadrados) Entretanto explica-me o que lhe passava pela cabeça. Por momentos, enquanto procurava a carteira do condutor (lembram-se, a que não encontrei), julgaram-me um potencial homicida a esconder uma arma ou, então, um traficante a livrar-se da droga. Por isso mesmo decidiram rebuscar os meus pertences. Estava um saco suspeito no banco de trás; mas, como não era meu, decidiram não o abrir. Quase me esquecia de dizer que, quando o condutor lhe tenta explicar que eu procurava os documentos, ele respondeu que não os pedira!

E seguimos caminho, a rir-nos como perdidos, até ao planalto mirandês.



Conclusão:

Se alguma vez, no meio do nada, a polícia os mandar parar:

1º não se mexam

2º procurem os documentos apenas se solicitados

3º não façam gestos bruscos

4º não se riam

segunda-feira, 12 de março de 2007

Inocência Perdida


Não sei por que razões, hoje lembrei-me de como encarava a mulher sexualmente aquando da minha infância. Lembro-me que a origem da minha reflexão, e já era um observador nato, foi a minha cunhada, na altura namorada de um dos meus irmãos. Tão frágil e sensível que, pela aparência, pensei logo que o meu irmão não tivera sorte na escolha. Não que não simpatizasse com ela, pelo contrário; mas as leis de Darwin não lhe eram favoráveis. É claro que estas deduções eram fruto das minhas leituras prematuras nos livros dos meus irmãos que me levaram a ser dissecador de animais e, inclusivé, a adentrar-me pelas espécies dos opiácios. Mas esta será outra história! Dizia eu que a rapariga não me parecia ser capaz de aguentar os impulsos primários, sexuais, de um macho. E o seu comportamento, algo retraído, também não augurava que gostasse de jogos sexuais. Estava tramado o meu irmão e a minha preocupação crescera de forma abismal. "Será que algum dia encontrarei uma mulher que goste de sexo?", era a pergunta que me assombrava as minhas noites e sempre que os meus pensamentos se desviavam dos estudos ou das brincadeiras de garoto. Já me imaginava um Indiana Jones na demanda da mulher-sexualmente-activa. Os pensamentos esvairam-se quando nasceu a minha sobrinha, mas ficou sempre a desconfiança de ter sido o resultado de uma acção pontual.

domingo, 11 de março de 2007

preso em casa... a redigir actas...


Hoje apetece-me escrever sobre qualquer merda, mas só de me sentir enclausurado em casa com um dia de esplêndido sol a clamar por mim, os neurónios decidiram fazer greve e a deusa da inspiração, seja Clio, decidiu ir lavar a crica ao riacho lá para os lados do colmeal moncorvense. E eu que me foda, aqui em casa a ler o dicionário para encontrar palavras para este texto. Um dado e o dito dicionário remediou-me o problema, depois só tenho de conjugar os verbos e fazer uns acertos e quase que parece que estou num daqueles dias que a minha deusa se inclina sobre o meu leito... e o resto já adivinham. Dir-me-ão que este é mais um texto sem sentido, sem qualquer sentido; mas quis despejar os meus pensamentos por aqui, simplesmente isso. Enquanto os outros andam por aí a passear as parrecas...

sábado, 10 de março de 2007

all about ...


Este post mais não é do que uma resposta a um desafio que parece que se espalhou por aí mais rápido do que a gripe das aves! Pela dificuldade da tarefa; afinal, parece que, a par dos 7 pecados capitais, terei de enunciar outras tantas coisas que faço bem, outras que não gosto, ainda tantas outras que aprecio no sexo oposto e, finalmente, igual número de hábitos discursivos.

Iniciemos esta viagem que adentrará os caros leitores pelos meus recônditos e viscerais segredos, que contribuem para os meus sucessos ou desgraças. Bem-vindos.


7 coisas que (julgo ou julgam que) faço bem:


  • dormir (sempre que é necessário nomear uma pessoa na família para ilustrar a arte de bem dormir, sou eu o escolhido);

  • amar (entenda-se este vocábulo como um hiperónimo, ou seja, na sua total abrangência);

  • conduzir (com as centenas de quilómetros que faço, mais me vale...);

  • ouvir (digamos que sou o ouvido(r) de amigos e familiares);

  • aconselhar (não fosse eu um conselheiro matrimonial e de maleitas do amor!);

  • comer gelados (sim, o termo é esse, eu como os gelados, não sou adepto de "chupanços");

  • aquecer comida ultracongelada no micoondas.

7 coisas que detesto:



  • intelectualismos de esquerda;

  • gajas convencidas que se julgam comidas quando lhes dou apenas uma passada de olhos;

  • palavras com mais de um erro ortográfico;

  • cebola nos cozinhados;

  • qualquer coisa light que se faz passar por literatura;

  • despertadores fora-de-horas;

  • machismos/feminismos exacerbados.

7 coisas que me atraem no sexo oposto:



  • roupa justa em corpos light;

  • humor, simpatia e inteligência;

  • personalidade;

  • beleza rara (que exclui barbies e inclui angelinas jolies);

  • morenas;

  • mãos e unhas;

  • depilação;

7 coisas que costumo dizer:



  • o m'cinho e a m'cinha;

  • estou-me a cagar;

  • sou transmontano d'alma;

  • é com s, não é com ç;

  • boooooooooo;

  • oueeeeeeeeeeeeee;

  • ó gaja.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Blogues + Putas = Escritoras

Acordei cedo para adiantar algum serviço, pois ultimamente nem para mijar (para os mais púdicos será "urinar") tenho tempo. E claro, não podia deixar de vir relatar mais um episódio que terá o seu quê de graça, mas também de um certo embaraço. São situações inesperadas onde a "maldade" estudantil impera e se confronta com a nossa "inocência". Digamos que é um confronto entre a força das hormonas-aos-saltos e a força-das-hormonas-selectivas. Num outro post terão a explicação destes dois conceitos.
Mas passo a relatar o episódio. É agora da nossa responsabilidade ensinar os jovens (e menos jovens) a ler Jornais, e para tal é mais que necessário ter Jornais. Como leitor mais ou menos assíduo de um JN e de um agora Público, mais labiríntico que um filme do Lynch; ofereci-me para levar alguns jornais. Peguei nos mais recentes.
Fiz a devida distribuição, mas porque sabia que havia algum artigo que me interessava, folheei um ou dois jornais e retirei o dito suplemento. A sessão seguiu, teve o seu desenvolvimento e terminou. Arrumo as minhas coisas, e decido abrir o tal suplemento. Imaginem a reacção dos meus assistentes à Capa com uma imagem sugestiva e a letras garrafais: Blogues+ Prostitutas = Escritoras. É certo que num cantinho, muito reduzido, tinha o meu álibi: uma imagem de uma pintura do Lynch. Mas depois de ter eu relatado a importância dos blogues e da sua qualidade literária - é claro que não ia motivá-los a dizer que era rara essa literariedade, exagerei um bocadinho - defrontá-los com aquela fórmula não foi fácil. Dobrei o suplemento, encaixei-o debaixo do braço e saí. Não quero imaginar os pensamentos deles. Quis imaginá-los, mas tive receio que estivesse a ser demasiado imaginativo numa altura em que se sofre uma crise até de imaginação estudantil.

Nota: É, portanto, importante que as redactoras de blogues em momento algum se considerem escritoras ou, face a esta fórmula, serão tomadas por putas (ou para os mais púdicos "prostitutas").

sábado, 3 de março de 2007

Televisão ou Sexo?


Já ando há vários tempos a querer arranjar argumentos válidos e irrefutáveis que não resvalem na resposta "Ó pá, isso é subjectivo!" Não sou nenhum intelectualóide, mas também não sou nenhum limitado intelectual que não saiba ver que estamos a entrar na Era da Televisão-Lixo (confesso que a expressão castelhana de telebasura me soa melhor!). Foda-se, é a Floribella que nunca mais se decide pelo gajo que realmente quer, é a freirinha que ainda não decidiu qual é o gajo que quer, é a moranguita que ainda não decidiu qual é o gajo que quer... esta repetição já enjoa!

Pois bem, hoje, julgo ter encontrado o melhor argumento. Claro que foi uma descoberta que veio salvar a merda da manhã num consultório à espera de dois minutos em frente a um gajo que te faz um diagnóstico ultra-rápido, só com um olhar de relance; e que te avia uns medicamentos que nunca te tiram menos que 30 euros da carteira. Os medicamentos, o gajo tira-te o dobro! Depois, não bastasse esta merda toda, ainda vem a enfezada da secretária lembrar-te que a espera durou mais que a consulta! Que puta de sábia conclusão!

Mas os meus olhos regalaram-se quando li que ter televisão reduz a prática de sexo para menos de metade! Meus amigos, é hoje! Peguem no caralho das televisões que têm lá por casa e "abotem-nas" ao lixo. Melhor: aproveitem a ocasião para serem solidários e entreguem os televisores nas instituições da terra.